Quando um estúdio estreante das Filipinas anuncia um Metroidvania ambicioso, é natural o ceticismo. O gênero está saturado de títulos que prometem ser o “novo Hollow Knight” e entregam apenas uma sombra pálida. Fallen Tear: The Ascension, porém, faz exatamente o oposto: na primeira hora de jogo, ele já prova que não está aqui para imitar — está aqui para disputar protagonismo com os maiores do gênero.
“Imaginei que seria mais um clone de Hollow Knight. Errei feio. Fallen Tear tem identidade própria, e isso é raro.”
Uma obra de arte em movimento
Não existe exagero em dizer que Fallen Tear: The Ascension é um dos jogos 2D mais bonitos dos últimos anos. Cada cenário, personagem e animação foi desenhado à mão com um cuidado artístico impressionante. A paleta de cores mergulha em vermelhos profundos e marrons terrosos que dão ao mundo de Raoah uma identidade visual única — influenciada pela estética asiática histórica, com um toque de anime moderno. Ver Hira se movendo pelas ruínas e florestas é quase como assistir a um filme de animação interativo.
A trilha sonora complementa os visuais com maestria: ambientes calmos e lo-fi durante a exploração, que explodem em composições épicas e orquestradas nos momentos de boss fight. É o tipo de design de áudio que você sente no peito.

O sistema de Fated Bonds muda o jogo
A grande inovação de Fallen Tear está nos Fated Bonds — um sistema de vínculos com NPCs que você encontra ao longo da jornada. Cada aliado recrutado pode ser invocado durante o combate para executar ataques especiais únicos: a dançarina regenera vida enquanto realiza um giro devastador, o chef lança uma roda de fogo que queima obstáculos e inimigos. É uma forma inteligente de combinar desenvolvimento de personagem, narrativa e mecânica de combate em um único sistema coeso — algo que praticamente nenhum Metroidvania tentou antes.
O combate em si é fluido e responsivo: ataques rápidos, esquiva com janela de parry, contra-ataque poderoso, double jump e dash que se desbloqueiam progressivamente. Os bosses exigem leitura de padrões e recompensam quem domina a mecânica.
Onde o jogo tropeça
Nem tudo são runas e poderes ancestrais. O maior problema de Fallen Tear está na sua própria ambição: há sistemas demais tentando coexistir — Masteries, Hunter Skills, Ascensions, Fated Bonds — e a interface não faz um bom trabalho explicando como tudo se conecta. Jogadores casuais podem se sentir perdidos na sopa de moedas e árvores de habilidade. Além disso, o jogo exige um hardware considerável; em PCs menos potentes, travamentos e lentidão ao carregar novas áreas são relatados por vários jogadores.

Veredicto
Fallen Tear: The Ascension é uma das estreias mais impressionantes que o Metroidvania indie já viu. A Winter Crew Studios entregou, já no Early Access, um jogo com arte de nível AAA, sistemas criativos e uma exploração recompensadora. Os tropeços na complexidade dos sistemas e nas questões de performance são reais, mas não apagam o brilho de uma obra que tem tudo para ser lembrada como um clássico do gênero quando chegar à versão 1.0 em 2026. Se você é fã de Hollow Knight, Prince of Persia: The Lost Crown ou qualquer Metroidvania que se preze — coloque na lista e não espere o lançamento completo para experimentar.
Com arte feita à mão de tirar o fôlego, sistema de vínculos único e um mundo vasto para explorar, este estreante da Winter Crew Studios é uma das maiores surpresas indie de 2025.
Prós
- Arte 2D feita à mão absolutamente deslumbrante
- Sistema de Fated Bonds único no gênero
- Dublagem profissional completa e de alta qualidade
- Trilha sonora épica que muda conforme o contexto
- Exploração rica e mundo vasto e interconectado
- Combate fluido com sistema de parry e contra-ataque
- 15–20h de conteúdo sólido já no Early Access
- Desenvolvedores ativos e ouvindo a comunidade
Contras
- Sistemas de progressão excessivamente complexos e confusos
- Narrativa principal um tanto genérica fora dos personagens
- Exige hardware robusto — pode travar em PCs fracos
- Inputs com leve delay ao interagir com NPCs
- Apenas 35% do jogo disponível — história incompleta
- Backtracking pode ser frustrante sem mapa claro
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Arte & Visuais
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Gameplay & Combate
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Som & Trilha Sonora
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Narrativa & Personagens
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Progressão & Sistemas
